terça-feira, 1 de dezembro de 2009

o tempo

em breve entrarei em férias das atividades que ocupam um terço de minha carga horária de vida.
espero assim decidir se consigo me mandar aqui ou se apenas desperdiço alguns poucos minutos sem sentir um propósito.



Não creias, Lídia, que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher.
Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.
Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa.
Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

0 comentários: