acho que deveria justificar o post abaixo.
outro dia em uma aula de estrutura e funcionamento do ensino
uma aluna faz a pergunta "mas os militares tinham outra alternativa?", quanto a mudança de ensino e a forma de aplicação, que por um lado desmantelou organizações e por outra ampliou a força de trabalho para o capitalismo.
e a conversa foi para muitos lados...
como também o lado do que se acredita em um momento. e o que é o ser humano.
e o que é inato do ser humano. E o que é natural do ser humano.
E a fé da ciência, e a catequese da ciência que é a escola.
Foi quando lembrei desse livro.
O como podemos pensar coisas dentro do mesmo conhecimento, mas de maneira discordante de teorias tão bem aceitas. Pode não ser real. Muitas vezes as teorias não o são. Por outro lado, tantas vezes se deixou de acreditar em algo certo, depois de muito tempo, por uma nova teoria totalmente certa.
Aí está. Não evoluímos dos primatas.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Questões?
- Por que razão andamos sobre duas pernas? Por que razão havíamos de adoptar uma postura que dificulta a marcha e causa problemas nas costas?
- Por que razão, ao contrário dos outros primatas, o nosso corpo é pelado e está bem revestido de gordura? As baleias, as focas e os paquidermes são os únicos outros mamíferos com estas características.
- Por que razão conseguimos alterar o nosso ritmo respiratório? Os chimpanzés não conseguem fazê-lo, mas as morsas sim.
(A Hipótese do Símio Aquático, Elaine Morgan)
- Por que razão, ao contrário dos outros primatas, o nosso corpo é pelado e está bem revestido de gordura? As baleias, as focas e os paquidermes são os únicos outros mamíferos com estas características.
- Por que razão conseguimos alterar o nosso ritmo respiratório? Os chimpanzés não conseguem fazê-lo, mas as morsas sim.
(A Hipótese do Símio Aquático, Elaine Morgan)
| Ato: |
terça-feira, 3 de novembro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
Centímetros de ilusão.
Era domingo, e isto não tem importância. Decorávamos as janelas comcortinas de anúncios de móveis. Estabelecia-os na decoração da casa riscando ochão com giz. Sentia-me Dogville, mas não pensava na desgraça nem na fuga. Não me aproveitava como um Cottard* nem esperava loucura na vida. Apenas projetava. E consultava meu sócio de projeto em relação às divisões espaciais no mundo pós-moderno de capitalismo tardio em um país que não é mais terceiro nem emdesenvolvimento. Apenas estancado como a perna do pobre velho que ontem tentavaatravessar a rua em vão – mas isto também não tem importância.
Não resta dúvida de que todo o nosso conhecimento começa pela experiência. Mas esta experiência não é minha, talvez por isto meu conhecimentoé deturpado, contudo temos que levar em conta que em outros tempos seria tudomais fácil. Teríamos namorado, noivado e, após longo tempo de anúncio, casado, feito uma festa, com esta viriam presentes e por fim a casa já teria seu retalho de móveis, escolhidos com o mau gosto dos outros, completando cada canto do pequeno apartamento, combinando com o bairro que também parece de uma costura mal feita. Passado alguns anos, infelizes e monótonos, sem opções que não fossem revolucionárias, teria gostado do harmonioso mobiliário já que todoresto pareceria pior.
Mas não! Agora eram outros tempos, em que a mobilidade nos relacionamentos nos permitia construir nosso lar ou desfazê-lo ao bel prazer de um tempo em que o tempo é relativo a qualquer coisa que se ache importante, sem sê-la, sem nem sabermos do que estamos falando.
Éramos assim um casal em uma casa. Eis aí o começo da história e nãoapenas retoques dela. Bem, é mentira que é o começo, seria o começo cinco mesesatrás, no mesmo bairro, a menos de 1,8 km dali, na terceira casa dele –naquela cidade. Mas esta não é a história dele, sendo assim este será o começo,quando a casa parou de me alojar – como uma visitante indesejada que agora deixara as férias e instalava-se à força, declarando sua rotina eespalhando seus sapatos pelo pequeno quarto. Agora não queria mais a boemia, queria ordem e xícaras da mesma cor. O que nos levou, três casas depois, a estaem que me ocupava em lhes contar.
Dois meses após o casamento tínhamos um lar. Encontrávamos nosso espaço e nele mais nada. E com o nada, duas companheiras. A obsessão e a discórdia, disfarçando outro casal, o capitalismo e a loucura. A casa perfeita tinha que ser montada. Enchida. Siliconada. Fantasiada como o sonho. Semanas antes da mudança já sabíamos suas medidas de cor. Fazíamos regime para caber o sofá.Mentíamos o tamanho da porta. Com a mudança construímos criados-mudos de papel. Saqueávamos em pensamento estantes de todas as partes. Só visitávamos a quem a mobília nos interessasse. Decorávamos fretes. Não tardou, começaram as brigas. Um contato de armário perdido. Uma medida suspeita. Gritos e metros metálicos à mão, mostraríamos nossa inépcia de adquirir conhecimento na vivência de outrasgerações. Esqueceríamos a esgrima, inventaríamos a guerra, quebraríamos as xícaras. Partiríamos sem lar.
* Personagem ‘capitalista’ de CAMUS em “A Peste”.
Não resta dúvida de que todo o nosso conhecimento começa pela experiência. Mas esta experiência não é minha, talvez por isto meu conhecimentoé deturpado, contudo temos que levar em conta que em outros tempos seria tudomais fácil. Teríamos namorado, noivado e, após longo tempo de anúncio, casado, feito uma festa, com esta viriam presentes e por fim a casa já teria seu retalho de móveis, escolhidos com o mau gosto dos outros, completando cada canto do pequeno apartamento, combinando com o bairro que também parece de uma costura mal feita. Passado alguns anos, infelizes e monótonos, sem opções que não fossem revolucionárias, teria gostado do harmonioso mobiliário já que todoresto pareceria pior.
Mas não! Agora eram outros tempos, em que a mobilidade nos relacionamentos nos permitia construir nosso lar ou desfazê-lo ao bel prazer de um tempo em que o tempo é relativo a qualquer coisa que se ache importante, sem sê-la, sem nem sabermos do que estamos falando.
Éramos assim um casal em uma casa. Eis aí o começo da história e nãoapenas retoques dela. Bem, é mentira que é o começo, seria o começo cinco mesesatrás, no mesmo bairro, a menos de 1,8 km dali, na terceira casa dele –naquela cidade. Mas esta não é a história dele, sendo assim este será o começo,quando a casa parou de me alojar – como uma visitante indesejada que agora deixara as férias e instalava-se à força, declarando sua rotina eespalhando seus sapatos pelo pequeno quarto. Agora não queria mais a boemia, queria ordem e xícaras da mesma cor. O que nos levou, três casas depois, a estaem que me ocupava em lhes contar.
Dois meses após o casamento tínhamos um lar. Encontrávamos nosso espaço e nele mais nada. E com o nada, duas companheiras. A obsessão e a discórdia, disfarçando outro casal, o capitalismo e a loucura. A casa perfeita tinha que ser montada. Enchida. Siliconada. Fantasiada como o sonho. Semanas antes da mudança já sabíamos suas medidas de cor. Fazíamos regime para caber o sofá.Mentíamos o tamanho da porta. Com a mudança construímos criados-mudos de papel. Saqueávamos em pensamento estantes de todas as partes. Só visitávamos a quem a mobília nos interessasse. Decorávamos fretes. Não tardou, começaram as brigas. Um contato de armário perdido. Uma medida suspeita. Gritos e metros metálicos à mão, mostraríamos nossa inépcia de adquirir conhecimento na vivência de outrasgerações. Esqueceríamos a esgrima, inventaríamos a guerra, quebraríamos as xícaras. Partiríamos sem lar.
* Personagem ‘capitalista’ de CAMUS em “A Peste”.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009
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